
Senti meus pés afundarem no piso frio, à casa úmida, o corpo quente.
Os olhos inchados, o sorriso escondido.
Não consegui conter toda aquela tristeza, deparei com uma imagem rindo.
Era o espelho.
O cabelo bagunçado, as roupas não trocadas.
O pavor, o sono, a morte.
Ria da própria desgraça, da saudade, da falta que me fazia.
Olhei o calendário do lado da porta. Indicando que já fazia um ano e três meses.
Hoje seria o aniversário de namoro, se ainda estivéssemos juntos.
Os risos não paravam. E, pela primeira vez em muito tempo, me senti feliz novamente.
Talvez só parecia, mas era um grande passo.
Resolvi voltar a viver, arrumei a casa, prendi o cabelo.
Sai na rua, tomando o sol matinal.
Quando virei a esquina, seus olhos encontraram os meus.
Desviei o mais rápido possível
Andava lentamente.
Sentindo seu olhar cravar em meu rosto.
O sorriso desapareceu, nossos rostos agora estavam a menos de um metro de distância.
Ambos paramos.
Desviei novamente do seu rosto, passando pelos cabelos e, por fim pelo chão.
Levantei o pé e dei um passo.
Ele levantou a mão, segurando meu braço.
Puxou meu rosto para o dele e beijando-me nos lábios.
A saudade tomou conta de mim.
Talvez tenha sido o meu melhor beijo, ou o pior.
Senti o seu olhar cravar em meu rosto.
O sorriso desapareceu, nossos rostos agora estavam a menos de um metro de distância.
Eu parei.
Desviei novamente do seu rosto, passando pelos cabelos e, por fim pelo chão.
Ele passou por mim friamente.
E, nunca mais vi ele. Esqueci completamente da minha ilusão.
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