sexta-feira, maio 29

Another Dream Wasted On You


-Você poderia pelo menos dizer porque está fazendo isso?
-Mãe, pra onde o papai está indo?
-Cale a boca, Ângela. Volte para a cama.
-Você ainda diz que ama ela.
-Quem é você para dizer isso? Está nos deixando.
-Estou, mas pelo menos eu não estou xingando ela.
-Saia da minha casa agora.
-Sua? Até onde eu sei essa casa foi construída por nós.
-Nós? Você sempre esteve jogando, assistindo os teus jogos inúteis, enquanto eu trabalhava para sustentar a sua cerveja.
-Nós construimos essa casa. Cansei de ficar finais de Verões, finais de semanas e férias trabalhando, dando duro naquele banco, enquanto você estava gravida ou cuidando do bebê.
-Pra mim chega, não ponha a culpa nela. É só uma criança. Ela tem 4 anos.
-Nunca coloquei a culpa nela, Karen, tchau.- bati a porta com a mala nos braços, levando apenas algumas roupas, um pouco de dinheiro e algumas comidas. Andei pela rua, na noite escura, o vendo balançava o meu cabelo, fazendo-me recear. O frio estava deixando as pontas dos meus pés congelados.

-Feliz aniversário, mamãe.
-Surpresa, amor.
-Oun, coisa boa, ser acordada por vocês.
-Mãe, vai ter bolo.
-Ângela, era surpresa.
-Ouvi surpresa? E nem iam me contar.
-Surpresa é surpresa.
-Desculpa.
-Tudo bem, querida.

-É o dia das crianças, ela pode.
-É dia das crianças, não dia dos filhos mandarem nos pais.
-Não seja idiota, Marcos.
-Não estou sendo, não pode deixar que ela leve metade da loja porque é o dia das crianças.
-Você nunca levou porque não teve dinheiro, deixa eu dar para a minha filha o que eu não tive.
-Então dê educação.
-Me respeite.
-Eduque a nossa filha.
-Por que você mesmo não faz isso?
-Porque você não deixa.

-Bom dia, meu amor.
-Te acordei?
-Não, não.
-Quem é a gravida mais linda do mundo?
-Hum, não sei.
-Claro que é você.
-Queres alguma coisa?
-Só um café da manhã, pode pegar pra mim?
-Uhum, volto em estantes.

-Sua vez de fazê-la dormir.
-Eu já fui.
-Até quando vai ser esse inferno.
-Quem quis ter um filho foi você.
-Falou bem, eu queria um filho, não uma menina.
-Ela é sua filha, Marcos.
-E eu nem acredito isso.
-Nunca mais repita essas palavras.
-Posso dizer com outras?
-Não se faça de desentendido.
-Ela continua chorando.
-Vá você.
-Vá você.
-Ok, eu vou.

-Agora eu tenho dois amores.
-Eu também.
-Não fale alto. Ela pode acordar.
-Você se preocupa de mais.
-Eu a amo.
-Eu também.

-Ela tem 4 anos e você ainda acha que tem direito de urinar na cama?
-Ela é uma criança.
-Tem que ser educada.
-Não posso xingar, ela não faz porque quer.
-Não, faz porque te ama.- minha voz saio com sarcasmo dessa vez.
-Poderia ajudar a fazer alguma coisa, ao invés de só ficar olhando.
-Ok, eu vou fazer.
-Marcos, o que você está fazendo?
-As malas, não está vendo?
-Onde você vai?
-Vou sair dessa casa, vou deixa-lá educar a sua filha da maneira que quer, cresça no meio da urina.
-poderia pelo menos me dizer porque está fazendo isso?
-Mãe, para onde o papai está indo?
-Cale a boca, Ângela (...)

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